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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Um Artista da Fome - Franz Kafka

O conto 'Um Artista da Fome' de Franz Kafka, publicado em 1922,  relata a vida de um artista que ganha a vida a jejuar. O artista não jejua apenas para atrair o público em suas performances, para ele jejuar significa vida e morte. O artista da fome é vigiado por uma grande quantidade de espectadores implacáveis que contam os dias de jejum, que não entendem a natureza artística de jejuar. 

 Entretanto, quando suas atuações deixam de ser populares, o artista é abandonado dentro de suas grades e se transforma num  pobre-diabo. Trocado por uma pantera que foi colocada em sua jaula, o artista da fome leva o seu desejo de jejuar até o limite passando desapercebido pelos espectadores que se esquecem de contar os dias de jejum. Para o artista o ato de jejuar se faz necessário, quando está agonizando admite que jejua porque nunca conseguiu encontrar um alimento que o satisfizesse. Sua arte é um modo de existir, e a perfeição nessa arte - ou seja, o ponto em que fica satisfeito - significa a morte.

O artista da fome pode ser comparado ao próprio Kafka, que na época em que compôs este conto estava com o organismo fragilizado por uma forte tuberculose e laringite e se alimentava com muita dificuldade.
Além da projeção pessoal, Kafka trata de conceitos atuais, como a mudança dos gostos e hábitos da sociedade. Assim como o artista da fome deixou de ser uma atração, a sociedade moderna define novos objetos que aos nossos olhos pareçam aceitos. kafka descreve o modernismo.

 
LEIA - Um Artista da Fome e A Construção (Franz Kafka)

Um Artista da Fome e Quadrinhos:




TítuloDESISTA! E OUTRAS HISTÓRIAS DE FRANZ KAFKA (Conrad Editora) - Edição especial
Autores: Franz Kafka (texto original) e Peter Kuper (adaptação e arte).
Preço: R$ 22,00
Número de páginas: 64
Data de lançamento: Março de 2008

O Livro 
'Desista! E Outras Histórias de Franz Kafka' reúne contos de Kafka em versões adaptadas para os quadrinhos. 
O norte-americano Peter Kuper, autor da adaptação, traduziu em imagens o tom absurdo das situações criadas por Kafka (1883-1924). Trata-se, evidentemente, de uma leitura pessoal dele mostrada na forma de imagens.


No conto "Desista!", destacado no título e na capa do álbum, um homem atrasado pergunta a um policial "qual é o caminho". Acuado, ouve um sonoro "desista!" como resposta. O atraso do homem é caracterizado com um relógio num dos olhos. A atitude agressiva do policial é simbolizada com um cano de revólver no lugar do nariz. É esse o tom das nove histórias da obra, ora mais acentuado, ora menos. Imagem e texto procuram se harmonizar por meio dos toques surreais. O resultado é um incômodo, muitas vezes acentuado pela crítica à condição humana. 

Talvez o caso mais contundente desse desconforto seja "Um Artista da Fome", o mais longo do álbum (dez páginas). Um jejuador profissional, que se apresenta em público, começa a perder o interesse da platéia. Tenta se apresentar num circo, mas a cena se repete. Como de costume numa obra kafkiana, a situação em si dá margem a mais de uma leitura. Mas qualquer interpretação esbarra num certo desconforto. Os nove contos do álbum –escritos por Kafka nas duas primeiras décadas do século 20- não são o primeiro passeio de Kuper pelo mundo kafkiano. 


Ele adaptou também "A Metamorfose", trabalho feito após "Desista!". A versão dele para o romance foi lançada pela Conrad em 2004. Foi um bom negócio para a editora. A obra foi incluída no PNBE (Programa Nacional Biblioteca na Escola), do governo federal. O programa compra obras literárias e em quadrinhos e as distribui a escolas do ensino fundamental. Resultado: a obra esgotou. "Desista!", assim como outras adaptações literárias que vêm sendo produzidas, tem tudo para seguir o mesmo caminho. Melhor garantir antes que o governo a descubra.

Fonte - 
http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/

quarta-feira, 6 de março de 2013

Quadrinhos - Genesis, 2009, Robert Crumb


Nome original: The Book of Genesis
Nome brasileiro: Gênesis por Robert Crumb

Nota: ★★★★★
Publicação: 2009

Licenciador e autor: Robert Crumb
Editora: Conrad
Categoria: Álbum de Luxo
Gênero: Alternativo
Número de páginas: 226
Formato: (21 x 28 cm)
Produto: Preto e branco/Capa dura

Gênesis se trata da reprodução fiel e ilustrada de cada palavra do texto original do primeiro livro da bíblia referente a criação do universo; os sete dias da criação; Adão e Eva; Noé, toda sua linhagem e tantas outras histórias antigas que há nele. Isso mesmo, os 50 primeiros capítulos do Gênesis foram adaptados impecavelmente para os quadrinhos por um dos maiores ícones do underground. Para isso, o mestre desenhista Robert Crumb no ápice da sua habilidade artística - como ele mesmo disse na introdução do livro - fez uma pesquisa profunda da obra que se inspirou à interpretar e que em alguns trechos se aventurou em pequenas interpretações próprias, mas apenas para deixar alguns termos bíblicos mais claros. Contando com a ajuda de amigos, profissionais e estudiosos, Crumb retratou com o máximo de fidelidade tanto o texto literário quanto a realidade da época. Foi um árduo estudo de quatro anos sobre a época, costumes e interpretação bíblica.
Uma obra bíblica ser interpretada e ilustrada por um indivíduo descrente de qualquer religião gerou um contraste, ocasionando uma certa polêmica na sociedade. Enquanto os religiosos fervorosos trucidam a obra, os fãs de quadrinhos e devotos de Robert Crumb se deleitaram com o trabalho. Independente à crítica religiosa, é uma obra magnífica e uma verdadeira relíquia no mundo dos quadrinhos. Diferente dos outros trabalhos de Crumb, não é caracterizado pela imoradilade, perversão, ironia e sarcasmo, mas esta obra, em particular, se destaca das outras pela intensa pesquisa realizada, que se faz perceptível durante a leitura.
Crumb disse que a ideia de representar Deus dessa forma gnóstica veio através de um “poderoso sonho” que teve no ano 2000 “no qual vi Deus e ele tinha essa aparência”

Em um trecho de entrevista concedida por Robert Crumb a Fernando Eichenberg em Paris e publicada pela revista “+ Soma” (disponível em http://www.maissoma.com/2010/2/26/robert-crumb), Crumb responde a seguinte questão:

Você se define como gnóstico?

Gnóstico é alguém que busca o conhecimento de Deus. Sou alguém em busca desse conhecimento. Não tenho a pretensão de dizer que possuo algum conhecimento, mas o procuro.uando você medita, tenta compreender a natureza da realidade, da nossa existência, da vida. Tenta unificar o todo da vida. Isso é muito gnóstico. Existe um texto gnóstico descoberto nos anos 1940, chamado “Nag Hammadi”, que é muito interessante. Fui bastante reprimido. A Igreja cristã e outras não gostavam de gnósticos – é algo muito vago, solto, sem doutrina suficiente. Os primeiros católicos se doutrinaram muito rapidamente. Queriam verdades absolutas, e todos que não concordavam com essas verdades eram excomungados. Por volta de 300 d.C., um bispo decidiu que todos que não reconhecessem Jesus como a encarnação de Deus não eram cristãos. Foi aí que começou o conflito em torno da heresia e dos hereges, de quem discordava da Igreja, milhões de pessoas perseguidas ao longo dos séculos. Ser gnóstico é não se limitar e não ter doutrinas. É diferente de ser agnóstico. Agnósticos duvidam da existência de Deus. Não são exatamente ateus, mas é um jeito de dizer “isso não é comigo”. Mas os gnósticos são interessados e praticam essa busca, na forma de meditação.

Você medita?

Sim, tento meditar todos os dias. Às vezes estou muito ocupado e não consigo, mas tento meditar todos os dias. É algo muito benéfico e útil.

O produto final elaborado pela editora Conrad ficou impecável, além da capa dura de luxo, o livro traz comentários do próprio autor sobre os capítulos ilustrados, com detalhes sobre a sua interpretação dos textos bíblicos e notas sobre a tradução para ajudar a esclarecer alguns trechos da tradução da obra original em inglês para o português.





segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Livro - Entrevistas com Arquitetos, Hanno Rauterberg



Finalmente terminei a leitura desse livro que esteve guardado na minha estante durante tanto tempo. O livro interroga 19 dos mais célebres arquitetos com assuntos imprescindíveis a profissão, se tornando uma verdadeira fonte de inspiração para os aprendizes mortais -
não por acaso é o primeiro livro sobre arquitetura que leio após estar oficialmente graduada.
O alemão Hanno Rauterberg, renomado crítico de arquitetura, conversa com os ilustres arquitetos da atualidade sobre o estado da arquitetura hoje em dia, suas aspirações, as influências em sua obra e se seus projetos podem mudar o mundo. Entre os entrevistados estão nomes de diferentes movimentos e lugares no mundo, como por exemplo: Norman Foster, Cecul Balmond, Peter Eisenman, Frank gehry, Zaha Hadid, Daniel Libekind, Oscar Niemeyer, entre outros.
A Introdução do livro, intitulada: 'Modernismo Digital, porque a arquitetura é mais popular do que nunca' faz um apanhado de questões importantes que aparecem em muitas das entrevistas: 'Seus projetos acrescentam o quê? Ainda existem Vanguardas? E será que podem transformar o mundo com sua arquitetura? Elas são apenas grandes esculturas, algo apenas para os de nível educacional elevado? Ou o que os visionários sonhavam no início do século 20 é realmente possível? Será que os arquitetos podem sensibilizar um grande número de pessoas, renovar cidades e até mesmo se tornarem um símbolo de mudança?'. As questões não são técnicas ou estéticas, elas abrangem sobretudo a  questão social - Para que estamos construindo?
Raunterberg ousa algumas provocações aos arquitetos em alguns momentos, como quando diz para a iraniana Zaha Hadid: 'The Times chamou-a de a mais odiada arquiteta da Inglaterra'. Quando diz que os prédios de Zaha 'têm algo preescritivo, mesmo que pareçam flexíveis', a iraniana parece perder a calma quando diz 'Você está querendo discutir?... Você provavelmente não gosta da minha arquitetura.'

É
um livro interessante para compreendermos questões indispensáveis à profissão, além disso, sem perder o profissionalismo e fugir de assuntos relacionados à arquitetura, o autor trás o lado mais humano dos arquitetos. Entre as respostas mais surpreendentes temos a de Oscar Niemeyer que ao ser perguntado se ainda existia alguma coisa que desejasse na vida, diz:
"Eu gostaria de parar de falar de arquitetura. Eu preferia falar sobre literatura, mulheres e ciência. Se me fosse concedido um desejo, então que todo mundo fosse igualmente próspero, por favor. que todo mundo fosse feliz. Atualmente, o mundo me parece terrivelmente desajustado. Há insatisfação por toda parte; muitas pessoas não acreditam no futuro; o dinheiro reina supremo. Até memso por essa única razão, a arquitetura não pode ser a resposa. A arquitetura não é importante, o mundo é importante, e nós temos que mudá-lo. Esse é um mundo de merda."